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A Comunicação Re-floresce em Austin

by Rodrigo Vieira da Cunha, PR Director, LiveAD / October 17, 2012

Nota: esse post do blog aparece somente em Português.

A primeira coisa que vale dizer neste artigo é o que o SXSW, festival de internet, cinema e música em Austin, Texas, é aquilo que ele não é. Ele não é um festival de novidades contemporâneas. Ele não é um lugar para se sentir abastecido com todas as tendências relevantes que vão impactar seu negócio. Ele não lhe dá a ideia de que você está por dentro do que está rolando. O SXSW tem muito mais coisas do que vc não viu, do que aquilo que viu. Na essência, é, portanto, a cara da internet, do mundo contemporâneo.

Todo participante do SXSW queria ter o dom da onipresença para poder navegar entre as diversas salas de hotel ou bares e palcos improvisados para ouvir todas as bandas. Ou mesmo de ter tempo de ver as estreias de filmes que logo estarão por aí nas salas de cinema.

Tudo que é relativamente novo, fica velho na velocidade de um viral. Dentre os diferentes tamanhos de palestra, um espaço onde cabem mais ou menos 2 mil pessoas é reservado para as palestras mais concorridas. Numa delas aconteceu a síntese do SXSW. Estava o fundador do Twitter Biz Stone falando de sua criação, lembrando que a última vez que ele esteve lá foi no longínquo ano de 2006, quando a rede social foi lançada – justamente lá. Eu queria mesmo era ouvir sobre o próximo negócio dele (Obvious.com), mas Biz acabou contando a história do Twitter, que aposto não ser novidade para muita gente que estava lá. Do meio para o final, a sala começou a encher numa velocidade impressionante. Como outro viral, a notícia da próxima palestra (que não estava no programa) se espalhou rapidamente. Só eu que não sabia, acho, que Al Gore, ex-vice presidente dos Estados Unidos, e Sean Parker, fundador do Napster e investidor do Facebook, entre outros, iriam dividir um painel.

Sai o Twitter, longe de ser uma novidade, e entram dois titãs de duas eras, pensando na próxima. Al Gore foi o cara que trouxe sustentabilidade para o debate. Sean Parker foi o cara que quebrou o business da indústria fonográfica (um dado: a indústria de música encolheu de US$ 48 bilhões em 2000 para algo entre US$ 8 e 12 billhões hoje). Eles estavam ali para lembrar que a internet é o grande vetor de transformação da sociedade.

“Estamos na segunda fase da internet, da emergência das redes sociais. Estamos ainda anos de distância da ativação das pessoas em causas. O engajamento na internet ainda não é suficiente se o que conseguimos é apenas criar fazendas virtuais ou outros jeitos viciantes de fazer as pessoas desperdiçarem tempo”, disse Parker.

Para Gore, tivemos uma versão embrionária deste engajamento com a reação à SOPA e PIPA, projetos de lei que colocariam amarras na liberdade da internet. “Ainda vivemos na era da televisão, uma força centralizadora, de uma só mão. Os americanos assistem em média 5 horas por dia. Precisamos criar o ‘Occupy Democracy’ para usar a internet e fazer o governo funcionar”, disse Al Gore, com retórica impressionante, cada palavra no seu lugar até tirar palmas e assovios da plateia. Parker, não. Olhava para o chão enquanto falava, tímido. Tímido, como um bom nerd.

A fala de ambos foi uma ode ao ativismo. O mesmo que está na capa da Time. O mesmo que incomoda via Avaaz. O mesmo que ocupa espaços em Wall Street e em outros lugares. O mesmo que emerge em qualquer lugar, onde ninguém menos espera. Aos poucos, as pessoas estão percebendo que são capazes de mobilizar — e muito — via internet.

Críticas à parte, o fenômeno Kony 2012, o viral mais rápido da história, é um case study de como alavancar via comunicação uma causa na época das redes sociais. Muito se discutiu sobre como as marcas serão úteis para o consumidor daqui para frente. Não se trata só de produto, mas de criar uma relação que faça sentido. Que seja útil.

E aí, vem a pergunta: como a indústria publicitária de hoje está a reagindo a este ativismo, a esta vontade que o consumidor/usuário tem em participar? A nova forma de comunicação é de mão dupla. A era do diálogo está atropelando a era do megafone. E o que mais preocupa é que tem muita gente querendo colocar uma mensagem incrível em 30 segundos ou numa dupla de revista. Só que isso isolado não vai mais dar certo. É preciso falar com os jovens onde eles estão, na internet. Mas com algo a mais além de banner e superbanner, por favor. Até quando a discussão central da publicidade, de como se usa a comunicação como ferramenta de venda (de uma ideia, de um produto, de um serviço, tanto faz), vai ser na Côte d’Azur enquanto a serendipidade (capacidade de atrair o acontecimento de coisas felizes ou úteis, ou descobri-las ao acaso, conforme o Houaiss) floresce na contemporânea Austin?

A expectativa do SXSW são as surpresas ou consolidações de tendências. Vale lembrar que o Twitter apareceu lá pela primeira vez, assim como o Foursquare. Em 2012, o CEO do Pinterest ganhou um espaço relevante num momento em que a ferramenta ainda não tinha virado febre, como aconteceu este ano. Ou seja, o negócio que está ainda numa garagem hoje pode ser a grande coisa do SXSW 2013.

Como tendências que se consolidam, o SXSW 2013 certamente apresentará uma escalada mobile. Já é esperado que, em breve, o número de dispositivos móveis ultrapasse o número de pessoas no mundo e cada vez mais haverá investimento em mobile marketing e aplicativos que supram tamanha demanda. Com isso, aplicativos que apostam na serendipidade e na localização “frictionless” como Sonar e Highlight, também devem ganhar força. Mas vale lembrar que qualquer previsão ainda é um ato de ousadia.

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